Mais adiante, em uma grande sala, é tocado um áudio com perguntas ainda mais paradigmáticas, como duas delas que me chamaram atenção: "O que fazer com a estética da fome de Glauber Rocha, agora que todos os pobres são obesos?" e "Dar esmola contribui para o bem-estar dos miseráveis?". E na parede uma única resposta escrita sobre um quadrinho de Tintim: "No sé" (" não sei" em espanhol").


Em uma outra sala, é revelado que, por trás dos grandes aquários distorcendo as paredes, existe um efeito dessa distorção, e em vez de um leilão de arte, o que se ouve são gravações da cultura popular brasileira, em uma delas um samba e na outra, um poema.Por fim, cheguei a esculturas de vidro que continham vídeos de músicos se apresentando, porém, a separação provocada pelo vidro dificulta a compreensão do que está sendo tocado, existe um distanciamento da arte e do artista em relação ao expectador. E esse foi o ponto que me pôs a refletir.
Onde está a arte senão na percepção do apreciador? Em diversas ocasiões durante minha visita à exposição fui advertido: "não chegue tão perto!", "você não pode gravar isso!", "não toque na obra!"... A arte contemporânea está claramente em crise por que não considera a sensação do expectador, não quer ser compreendida. Por isso, por trás de um leilão de arte, a cultura popular, que sempre dialogou bem com as pessoas em geral em um nível emocional, e para a música, uma linguagem tão comunicativa sentimentalmente, uma bruta divisória de vidro.
A arte é para as pessoas e parte das pessoas, e muitas galerias e artistas ainda não entenderam isso. A sensibilidade se sobrepõem a qualquer outra coisa. Temos o direito a preguiça, e devemos exercê-lo.


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