sexta-feira, 15 de abril de 2016

Primeira(s) maquete(s) do objeto interativo

Minha ideia para objeto interativo parte de um problema de comunicação ("No one should be interested in the design of bridges, they should be concerned with how to get to the other side." etc, etc). 
      O problema é que, em nossas interações corriqueiras, estamos quase sempre mais interessados em dizer o que temos em mente e nos projetar nos outros e no meio, do que em de fato interagir com o interlocutor. Acredito que só fazemos isso tão bem e instintivamente por que temos o domínio da palavra. A palavra, com seu poder de síntese, nos permite fazer essa projeção egocêntrica, tão marcante na contemporaneidade. 
       Portanto, minha proposição é  de tentar promover uma interação baseada em outras formas de comunicação e percepção, que não a palavra e a fala.

        A partir disso ( e para isso), minhas inspirações foram:

- O tão mencionado em sala" Óculos da Lygia", que me levou a essa percepção e à possibilidade de comunicação pelo olhar

e uma cena do filme 2001 de Stanley Kubrick, em que é explorada uma grande tensão criada pela expressão facial do personagem e pelos ruídos eletrônicos/mecânicos da cena.

A partir dessas duas referências, pensei em um objeto que explorasse a percepção e a comunicação dos interlocutores através do olhar associado a ruídos. A primeira ideia era de uma espécie de divisória com dois lados que fosse vazada na altura dos olhos dos participantes da interação, de maneira que pudessem ver apenas os olhos um do outro. Além disso, haveria quatro botões de cada lado que, quando apertados,  acionariam quatro auto-falantes diferentes do lado oposto.
 Com isso, os participantes deveriam tentar se comunicar por meio desses dois recursos, alimentado a percepção e constituindo uma linguagem particular para cada nova interação.




Porém, com a orientação dos professores para abandonar os botões, tentei elaborar a ideia de outra maneira. O que pensei foi basicamente transpor a ideia para um óculos, como o da obra da Lygia, de maneira que os sons fossem acionados pela movimentação da cabeça e do olhar, que promoveria o contato de sensores ao redos do objeto ligados aos auto-falantes, e não mais por botões.







Análises espaciais/arquitetônicas na Ilha Grande

Neste feriado da semana santa, viajei para Ilha Grande no litoral do Rio de Janeiro para acampar com alguns amigos. Em todos os lugares que visitava me propus a estar atento às questões relativas à apropriação do espaço, as demarcações entre público e privado, as formas convidativas, as manifestações culturais, etc. Com isso, elaborei algumas análises espaciais:

- Bar encontro dos amigos (Sinuca):
     A primeira foi em um bar simples da ilha, que fomos para jogar sinuca. Enquanto estava de fora, registrei alguns aspectos espaciais do ambiente simples do bar.
Descrição: -"O ambiente familiar de mercearia, ainda que baseado em uma ideia de familiaridade e localidade diferente da tradicional, traz ao cliente um certo desconforto e algo de incerteza ao adentrar o local. Porém, ao desenvolver o jogo e o consumo, a familiaridade, que antes incomodava, é conquistada pelo cliente e o incentiva a interagir com o(s) comerciantes, que estão em um espaço ligeiramente diferenciado do dos clientes e, também, em momento de lazer e descontração.

- Laio's Camping:
    Analisei também o camping em que nos hospedamos, onde dividimos espaço com vários outros hóspedes e funcionários.
Descrição: - "O ambiente bagunçado, aparentemente sujo e a falta de privacidade assustam o hóspede desacostumado a princípio. Porém a circulação e a utilização dos recursos do camping acabam por forçar a interação entre os hóspedes, criando um sentimento de comunidade que se relaciona muito bem com a atmosfera da ilha."
- " A cozinha, o banheiro, a bica e os próprios espaços de circulação são interpretados como espaços comuns, mas que funcionam para suprir necessidades privadas. A barraca e seus arredores imediatos se tornam o espaço de privacidade exclusiva, mas a circulação e a apropriação das imediações para conversar, passar o tempo ou jogar cartas é muito natural, confortável e propícia à socialização."

- Praça da Igreja:
Por ultimo, analisei as manifestações culturais na praça da igreja da ilha, centro da vida noturna e ponto de encontro.

Descrição: - " Na primeira noite, ao passar pela praça da igreja depois de uma forte chuva, um dos postes de iluminação estava apagado e havia poças ao longo do chão. O local estava escuro e desconfortável, a movimentação turística era mínima e o comércio estava quase todo fechado.
        Visitando o local em outra noite de tempo estável e iluminação concertada, encontramos uma movimentação turística e interação social intensas, havia música na rua, juntando dezenas de espectadores, e em vários bares nos arredores da praça. O ambiente era imensamente agradável e convidava o turista a passear pela vila, contemplando o comércio, desfrutando dos bares e interagindo. Naquela noite podia-se experimentar o melhor da atmosfera da ilha."