O problema é que, em nossas interações corriqueiras, estamos quase sempre mais interessados em dizer o que temos em mente e nos projetar nos outros e no meio, do que em de fato interagir com o interlocutor. Acredito que só fazemos isso tão bem e instintivamente por que temos o domínio da palavra. A palavra, com seu poder de síntese, nos permite fazer essa projeção egocêntrica, tão marcante na contemporaneidade.
Portanto, minha proposição é de tentar promover uma interação baseada em outras formas de comunicação e percepção, que não a palavra e a fala.
A partir disso ( e para isso), minhas inspirações foram:
- O tão mencionado em sala" Óculos da Lygia", que me levou a essa percepção e à possibilidade de comunicação pelo olhar


e uma cena do filme 2001 de Stanley Kubrick, em que é explorada uma grande tensão criada pela expressão facial do personagem e pelos ruídos eletrônicos/mecânicos da cena.
A partir dessas duas referências, pensei em um objeto que explorasse a percepção e a comunicação dos interlocutores através do olhar associado a ruídos. A primeira ideia era de uma espécie de divisória com dois lados que fosse vazada na altura dos olhos dos participantes da interação, de maneira que pudessem ver apenas os olhos um do outro. Além disso, haveria quatro botões de cada lado que, quando apertados, acionariam quatro auto-falantes diferentes do lado oposto.
Com isso, os participantes deveriam tentar se comunicar por meio desses dois recursos, alimentado a percepção e constituindo uma linguagem particular para cada nova interação.
Porém, com a orientação dos professores para abandonar os botões, tentei elaborar a ideia de outra maneira. O que pensei foi basicamente transpor a ideia para um óculos, como o da obra da Lygia, de maneira que os sons fossem acionados pela movimentação da cabeça e do olhar, que promoveria o contato de sensores ao redos do objeto ligados aos auto-falantes, e não mais por botões.











