quarta-feira, 30 de março de 2016

Em direção à lógica programática

Buscando ressignificar a relação entre o bloco de notas, a bucha e livro sob a lógica do objeto (programática), e não do sujeito , me propus a considerar as características puramente objetivas de cada um deles separadamente, a princípio. Com isso constatei sobre cada um deles que:

O Livro:
        O Livro pode ser encontrado exibido em uma estante, onde tem algumas de suas características evidenciadas, ou nas mãos de alguém que o lê, o que denota um determinado contexto, porém, em situações como essas, ele está sempre carregado de algum significado ou interpretação subjetiva. Com isso, para analisar o livro apenas objetivamente, devemos nos atentar a sua condição de maior simplicidade: um livro deitado sobre uma superfície (mesa ou algo do tipo). 
        Quando me deparo com um livro sobre uma mesa, a primeira característica evidenciada é a estética densa. O livro tem imagens na capa, texturas, partes, divisões... Ao abri-lo, isso fica ainda mais evidente. Existem títulos, partes, sub-partes, numerações e uma infinidade de palavras. A impressão imediata é de algo imponente e misterioso.
        O livro portanto é "objetivamente" um objeto denso, instigante e misterioso. 
        É difícil pensar um livro sem subjetividade, pois tudo nele foi feito para transmitir uma impressão estética/intelectual em certa medida para quem interage com ele , mas acredito que isso é parte da essência de sua objetividade, ele parece denso e carregado pois pressupõe o significado.

A Bucha:
        A bucha, por outro lado, parece um objeto muito simples. Tem uma estética leve, um material curioso e cores agradáveis. Ao interagir com a bucha, a primeira reação de qualquer um, possivelmente, seria apertar o material, depois talvez olhar de perto, cheirar, apertar de novo... Afinal de contas, a bucha não diz muito pelo visual, toque, ou alguma outra interação imediata.
       Acho que as interações mais significativas com a bucha surgem ao se constatar suas capacidades, sobretudo a de absorver líquidos e pequenas partículas. Isso abre um mundo de possibilidades de ressignificações.
       Com isso, a bucha me parece um objeto centrado em sua capacidade. 

O Bloco de notas:
       O bloco de notas, por sua vez, também tem uma estética leve e agradável, mas, diferentemente da bucha, ele tem uma superfície livre e altamente modificável. A meu ver essa é a característica central do bloco de notas, ele é convidativo, e uma interação com ele rapidamente se torna um reflexo de quem o manuseia. Ele não diz muito por si só, talvez diga apenas que ele está livre e aberto para interações e modificações.
       Portanto, me parece que a principal característica objetiva do bloco de notas é o seu caráter convidativo e interativo.

Dessa maneira, tendo analisado os objetos desconsiderando fins e causas, eis o que consigo imaginar de relação programática entre eles:
       O livro pressupõe o significado, está recheado dele, enquanto que a bucha pressupõe a capacidade e se significa pela sua manifestação. Portanto, uma possível interação é a tentativa de modificar o bloco de notas de maneira que reflita um eventual significado atribuído pela bucha descrito por meio de significações sugeridas pelo livro. Em outras palavras: registrar no bloco por meio de informações do livro algo que reflita a condição assumida pela bucha na situação em que ela se encontrar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Croquis da Escola

1 ponto de fuga - interno (mesas do restaurante)

2 pontos de fuga - interno (mesa de ping pong)

1 ponto de fuga - externo (entrada alternativa)

2 pontos de fuga - externo (porta do pátio)


domingo, 20 de março de 2016

Pesquisa do Conjunto Arquitetônico da Pampulha

Durante a gestão de Juscelino Kubitschek como prefeito de Belo Horizonte, na década de 1940, foi elaborado o plano da construção de um bairro aristocrático na cidade que abrigasse opções de lazer e moradia sofisticados. O jovem arquiteto modernista, Oscar Niemeyer, foi convidado para projetar quatro edifícios  no entorno de uma lagoa artificial, que acabaram por se tornar marcos da arquitetura modernista e expoentes do trabalho de Niemeyer.
A arquitetura dos edifícios projetados tem como grande influência os "Cinco pontos da Arquitetura Moderna", elaborados pelo arquiteto francês Le Corbusier, com quem Niemeyer já havia trabalhado no projeto do edifício do então Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Os cinco pontos citados são:
- Planta Livre
- Fachada Livre
- Pilotis
- Terraço Jardim
- Janelas em Fita
 A influência dos cinco pontos é mais evidente no edifício do Museu de arte da Pampulha, projetado como cassino por Niemeyer. O museu é construído sobre pilotis , tem fachada e planta livre, janelas em fita e, apesar de não ter terraço jardim, é rodeado por uma exuberante jardim elaborado pelo paisagista Burle Marx. A construção assemelha-se muito com a Villa Savoye, obra notável de Le Corbusier e expoente dos cinco pontos.

- Museu de arte da Pampulha
-Villa savoye
A utilização dos pilotis e da planta livre na arquitetura do museu, além de dar leveza à estética do prédio, cria espaços de circulação nas partes interna e externa, enquanto que a fachada livre a as janelas em fita contribuem para a composição do edifício com a paisagem ao redor, de maneira que o prédio parece absorver a imagem do jardim e a da lagoa da Pampulha, que podem ser vistos com exuberância de dentro do museu através das grandes janelas.








Porém, é notável também como o arquiteto imprime sua marca em alguns pontos divergentes em relação à estética corbusiana. Com o objetivo de projetar um ambiente de maior requinte, uma vez que se tratava de um cassino, Niemeyer utilizou materiais sofisticados no interior do prédio, criando paredes todas revestias de espelhos, colunas de aço inox, além de outros materiais refinados no interior do edifício. Além disso, a edificação tem algumas formas curvas e detalhes requintados, como os azulejos portugueses utilizados na fachada e na parte de traz do prédio, algo incomum à estética modernista da época.
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 O edifício é hoje considerado uma das melhores obras de Niemeyer e o conjunto arquitetônico da Pampulha se consolidou como um grande marco da carreira do arquiteto e uma referência para a arquitetura em todo o mundo.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Atividade dos Objetos e análise com o texto "Nosso programa", de Vilém Flusser

Apresentei meu objeto (um bloco de notas) como algo capaz de registrar ideias e de se reinventar. A partir disso, relacionei-o com uma bucha pela capacidade de absorção, considerando que o bloco se define pelas anotações que registra e a bucha pelos líquidos que eventualmente absorve, estabelecendo, assim, uma relação finalista, analisando os objetos apenas por suas funções práticas objetivas.O outro objeto relacionado foi um livro, pelo fato de que se define pelas informações contidas em si, assim como o bloco que, apesar de poder se modificar e reinventar mais facilmente, também assume uma certa definição quando recebe registros. Foi configurada, então, uma relação causal, no sentido de que a definição dos dois objetos é uma consequência dos registros que eles possam conter. Porém, na apresentação de meu objeto, considerei que o bloco de notas pode assumir diferentes significados dependendo do tipo de informação que for registrada em suas folhas, e pode também não significar nada se nada lhe for escrito. Com isso, é possível identificar uma lógica programática na análise do objeto, que pode ser aplicada aos objetos relacionados, considerando o acaso em seus possíveis usos e desusos. A bucha, por exemplo, pode assumir diferentes formas e consistências dependendo do líquido e da quantidade de líquido que absorver. Enquanto o livro pode transmitir diferentes significados dependendo e quem o ler, podendo inclusive conter seus registros apenas em si, se não for lido. Com isso, é possível concluir que os três objetos, apesar de aparentemente definidos em causa e função, podem assumir diferentes significados e formas dependendo das circunstâncias e das ocasionalidades, não estando nuca completamente definidos ou premeditados sem que se considere o acaso.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Reflexão arquitetura x vestuário

Como constatado na aula, a arquitetura e o vestuário são ambos elementos culturais desenvolvidos pela humanidade no seu processo de adequação ao meio e às próprias necessidades. O vestuário, assim como a arquitetura, protege e adéqua o homem ao meio, proporciona novas possibilidades à vida do usuário e funciona também como forma de identificação, expressão e colocação no mundo. Porém o vestuário cumpre essas funções apenas até o ponto em que o homem relaciona-se somente com si mesmo e com o meio inalterado. A partir do momento em que o ser humano estabelece relações sociais, vive experiências coletivas e modifica o meio com suas ações, é a arquitetura que compreende estas dimensões. A arquitetura é capaz de proporcionar experiências, proteger, adequar e identificar um coletivo de pessoas simultaneamente, além poder projetar essas funções no meio, e não apenas para o indivíduo, como ocorre com o vestuário.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Parágrafo objetos

A ciência da cultura apresentada como o estudo dos objetos contradiz a noção de cultura atualmente disseminada, sendo esta definida como o estudo dos registros das relações humanas e suas criações intelectuais. Porém, ao considerar o objeto como um registro destas mesmas relações e criações, a cultura pode ser interpretada da maneira apresentada no texto, uma vez que, sob essa perspectiva, o objeto adquire uma posição de independência em relação ao homem, sendo apenas relacionado à humanidade em seu momento de concepção. Dessa maneira, evidencia-se a diferença da concepção de uma objetividade independente da humanidade em relação à nossa recorrente mentalidade industrialista, de serventia e descartabilidade dos objetos.

Complemento:
A ideia de objetos independentemente significados em relação à humanidade se opõe à proposição apresentada na discussão de que a existência de um significado para as coisas depende da subjetividade e da animalidade do homem, de maneira que a independência dos objetos seja impossível, uma vez que a significação deles pressupõe a humanidade.