O Livro:
O Livro pode ser encontrado exibido em uma estante, onde tem algumas de suas características evidenciadas, ou nas mãos de alguém que o lê, o que denota um determinado contexto, porém, em situações como essas, ele está sempre carregado de algum significado ou interpretação subjetiva. Com isso, para analisar o livro apenas objetivamente, devemos nos atentar a sua condição de maior simplicidade: um livro deitado sobre uma superfície (mesa ou algo do tipo).
Quando me deparo com um livro sobre uma mesa, a primeira característica evidenciada é a estética densa. O livro tem imagens na capa, texturas, partes, divisões... Ao abri-lo, isso fica ainda mais evidente. Existem títulos, partes, sub-partes, numerações e uma infinidade de palavras. A impressão imediata é de algo imponente e misterioso.
O livro portanto é "objetivamente" um objeto denso, instigante e misterioso.
É difícil pensar um livro sem subjetividade, pois tudo nele foi feito para transmitir uma impressão estética/intelectual em certa medida para quem interage com ele , mas acredito que isso é parte da essência de sua objetividade, ele parece denso e carregado pois pressupõe o significado.
A Bucha:
A bucha, por outro lado, parece um objeto muito simples. Tem uma estética leve, um material curioso e cores agradáveis. Ao interagir com a bucha, a primeira reação de qualquer um, possivelmente, seria apertar o material, depois talvez olhar de perto, cheirar, apertar de novo... Afinal de contas, a bucha não diz muito pelo visual, toque, ou alguma outra interação imediata.
Acho que as interações mais significativas com a bucha surgem ao se constatar suas capacidades, sobretudo a de absorver líquidos e pequenas partículas. Isso abre um mundo de possibilidades de ressignificações.
Com isso, a bucha me parece um objeto centrado em sua capacidade.
O Bloco de notas:
O bloco de notas, por sua vez, também tem uma estética leve e agradável, mas, diferentemente da bucha, ele tem uma superfície livre e altamente modificável. A meu ver essa é a característica central do bloco de notas, ele é convidativo, e uma interação com ele rapidamente se torna um reflexo de quem o manuseia. Ele não diz muito por si só, talvez diga apenas que ele está livre e aberto para interações e modificações.
Portanto, me parece que a principal característica objetiva do bloco de notas é o seu caráter convidativo e interativo.
Dessa maneira, tendo analisado os objetos desconsiderando fins e causas, eis o que consigo imaginar de relação programática entre eles:
O livro pressupõe o significado, está recheado dele, enquanto que a bucha pressupõe a capacidade e se significa pela sua manifestação. Portanto, uma possível interação é a tentativa de modificar o bloco de notas de maneira que reflita um eventual significado atribuído pela bucha descrito por meio de significações sugeridas pelo livro. Em outras palavras: registrar no bloco por meio de informações do livro algo que reflita a condição assumida pela bucha na situação em que ela se encontrar.











