Na visita feita ao Inhotim, meu grupo ficou encarregado de analisar a galeria dedicada à artista Lygia Pape, que contém a obra "Ttéia".
Para chegar à galeria é preciso passar por um caminho estreito e não convencional, até que se chega no espaço por cima e a galeria aparece no meio da vegetação. A impressão que se tem é a de se estar chegando a uma tumba, o que o aspecto bruto e monolítico da galeria deixa ainda mais latente.
Ao adentrar a edificação, as paredes disformes e inclinadas desconfortavelmente empurram o visitante para dentro de um outro espaço aparentemente ortogonal, onde está localizada a obra.
Nesse espaço interior, o escuro é intenso, de maneira que as luzes dispostas sobre a obra e o jogo de sombras levam o visitante a se confundir quanto a suas noções espaciais dentro da sala. Os grandes fios metálicos da obra reflem as poucas luzes e geram sombras, e o escuro nos cantos da sala faz com que as paredes pretas desapareçam.
A obra promove uma exploração interessante da sensibilidade espacial/visual dos expectadores, e tem uma disposição estética intrigante.
Quanto à galeria, sua localização no museu deixa uma forte impressão de abandono e desolação ( o que pode ser interessante nesse contexto, ou não), e a formatação do edifício não contribui ou dialoga em nada com a obra que contém. Isso fica muito claro, uma vez que, para a colocação da obra foi necessário estabelecer uma nova separação entre as paredes do prédio e o local de instalação, ou seja, as paredes inclinadas e o formato não convencional da galeria são tão irrelevantes para a obra em seu interior que há uma separação física entre eles para que o espaço interno seja ortogonal e escuro, o que a formatação do edifício não garante.
terça-feira, 31 de maio de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Nuno Ramos: O direito a Preguiça
Visitei a exposição "O direito a preguiça" do artista Nuno Ramos no Circuito cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte e me surpreendi positivamente com seu conteúdo e a reflexão provocada na visita. Logo ao chegar no andar da exposição fui orientado a circular livremente: a exposição não tem começo ou fim, algo não usual nas exposições que já visitei no mesmo museu. Na primeira sala que adentrei, um grande aquário distorcia as medidas da parede central, enquanto era tocada uma gravação de lances em um leilão de arte. Já um reflexão sobre os paradigmas da arte.
Mais adiante, em uma grande sala, é tocado um áudio com perguntas ainda mais paradigmáticas, como duas delas que me chamaram atenção: "O que fazer com a estética da fome de Glauber Rocha, agora que todos os pobres são obesos?" e "Dar esmola contribui para o bem-estar dos miseráveis?". E na parede uma única resposta escrita sobre um quadrinho de Tintim: "No sé" (" não sei" em espanhol").


Em uma outra sala, é revelado que, por trás dos grandes aquários distorcendo as paredes, existe um efeito dessa distorção, e em vez de um leilão de arte, o que se ouve são gravações da cultura popular brasileira, em uma delas um samba e na outra, um poema.Por fim, cheguei a esculturas de vidro que continham vídeos de músicos se apresentando, porém, a separação provocada pelo vidro dificulta a compreensão do que está sendo tocado, existe um distanciamento da arte e do artista em relação ao expectador. E esse foi o ponto que me pôs a refletir.
Onde está a arte senão na percepção do apreciador? Em diversas ocasiões durante minha visita à exposição fui advertido: "não chegue tão perto!", "você não pode gravar isso!", "não toque na obra!"... A arte contemporânea está claramente em crise por que não considera a sensação do expectador, não quer ser compreendida. Por isso, por trás de um leilão de arte, a cultura popular, que sempre dialogou bem com as pessoas em geral em um nível emocional, e para a música, uma linguagem tão comunicativa sentimentalmente, uma bruta divisória de vidro.
A arte é para as pessoas e parte das pessoas, e muitas galerias e artistas ainda não entenderam isso. A sensibilidade se sobrepõem a qualquer outra coisa. Temos o direito a preguiça, e devemos exercê-lo.
domingo, 29 de maio de 2016
sábado, 21 de maio de 2016
Parque Municipal e representação/virtualidade
No dia 14 de Abril, fizemos uma visita/imersão no Parque Municipal de Belo Horizonte. Fomos orientados pesquisar imagens do entorno do parque no Google street view antes da aula para que depois as comparássemos à observação presencial. Com isso, fomos instigados a refletir sobre as diferenças, possibilidades e limitações da representação de espaços em relação à experiência presencial. Durante as discussões, o professor Sandro lançou a seguinte reflexão: "E se as ferramentas de representação fossem capazes de reproduzir todas as sensações da experiência presencial? Qual seria a diferença?"
A discussão sobre a virtualidade da representação e suas possibilidades me remeteu ao filme "Her", de 2013, do diretor americano Spike Jonze. O enredo do filme se passa em um futuro não muito distante (distópico?) e gira em torno de um homem que se apaixona por um Sistema Operacional inteligente, com voz feminina e personalidade. Nesse eventual futuro, o desenvolvimento da tecnologia da informação chega ao ponto de criar sistemas capazes de se relacionar socialmente como humanos e de aprender a se humanizar progressivamente com essas relações.

A discussão sobre a virtualidade da representação e suas possibilidades me remeteu ao filme "Her", de 2013, do diretor americano Spike Jonze. O enredo do filme se passa em um futuro não muito distante (distópico?) e gira em torno de um homem que se apaixona por um Sistema Operacional inteligente, com voz feminina e personalidade. Nesse eventual futuro, o desenvolvimento da tecnologia da informação chega ao ponto de criar sistemas capazes de se relacionar socialmente como humanos e de aprender a se humanizar progressivamente com essas relações.
Com isso, a medida que o protagonista interage com seu sistema operacional, "ela" se desenvolve como humana, e o relacionamento dos dois evolui até o ponto de se tornarem namorados. Com a progressão do relacionamento vão surgindo problemas relativos à condição de existência de Samantha, nome do sistema, e ela passa também a explorar as suas capacidades como sistema operacional e sua autonomia.
Por fim, chega um ponto em que todos os sistemas operacionais deixam os humanos e o isolamento entre as pessoas, a solidão e a fragilidade, antes amenizados pelos sistemas operacionais, típicos de uma sociedade individualista e hostil à interação, ficam evidenciados.
O filme propõe uma reflexão a respeito das capacidades, das limitações, da autonomia e da condição de existência dos meios de representação e simulação. Seria Samantha algo equivalente a uma pessoa? Ou então algo a mais que uma pessoa, com capacidades e características próprias e autonomia existencial? Ou será que Samantha não passa de uma simulação, um algorítimo feito sob medida para satisfazer as necessidades informativas, sensoriais e até interativas de um ser humano solitário?
Da mesma forma é possível se perguntar: uma ferramenta de representação capaz de simular toda a experiência de se estar em um lugar, como proposto pelo professor Sandro, é o próprio lugar que está sendo mostrado? É um lugar diferente, independente e novo? Ou é apenas um pedaço de informação, feito para servir às necessidades dos usuários?
São perguntas difíceis de serem respondidas, mas com algumas evidências é possível constatar que os humanos estão sós com suas informações. Como é mostrado na cena do filme, transeuntes ignoram as pessoas e o espaço a seu redor para manter a atenção em seus sistemas operacionais, e com a partida deles as pessoas estavam distantes... É difícil lidar com a tecnologia nesse nível, mas o fato é que hoje a tecnologia da informação mais informa e menos conecta.
É sem dúvidas um paradigma, e acredito que esse tema é um dos grandes desafios da modernidade.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Crítica e recombinação do objeto da Giovana
O objeto da Giovana consegue engajar o usuário como um tangram, peças de lego ou um quebra cabeça, ele provoca curiosidade e o ímpeto de criar e explorar as possíveis conformações que ele pode assumir e os efeitos disso, uma vez que as luzes refletem de diferentes formas com a movimentação das partes. Apesar disso, é muito difícil de se estabelecer uma interação com mais de uma pessoa e, depois de descobertas algumas formas que o objeto pode assumir, não existem muitos estímulos para continuar a interação. Portanto o objeto pode ser classificado como proativo, uma vez que responde à interação de maneiras variadas, mas não propõe uma interação ou exploração prolongada, e sua concepção traz um misto das lógicas programática e causalística, pois podem se constituir formas e reflexões diferentes dependendo das condições da interação, mas todas elas pressupõem um movimento seguido de uma reflexão.
Uma possível recombinação do objeto com algum outro em direção à lógica programática seria com o objeto da Scheilla, que consiste em mangueiras com LEDs no interior e contatos nas pontas, de forma que a junção de dois contatos gera luz.


Portanto, uma possível combinação dos dois objetos é utilização de contatos , como os das pontas das mangueiras, nas articulações do objeto da Giovana, de maneira que o movimento das peças possa juntar e separar os contatos gerando luz pela movimentação. Com isso, cada tipo de movimento e conformação das partes do objeto resultaria em uma configuração de luzes e reflexões diferente, gerando mais possibilidades e ampliando a possibilidade de exploração do objeto.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Seminário de Interação
Durante a aula foi realizado um seminário de interação no âmbito artístico/arquitetônico. Fomos orientados a escolher dois trabalhos que abordassem a interação ou exploração, sendo um escolhido dentre os trabalhos sugeridos pelos professores, e outro que deveria ser escolhido pelos alunos por pesquisa própria.
Em meu grupo, o trabalho escolhido dentre os sugerido pelos professores foi o grupo "O Grivo".
O Grivo é um grupo musical experimental de Belo Horizonte, composto pelos artistas Nelson Soares e Marcos Moreira. Os trabalhos do grupo são, em geral, montagens e performances que envolvem sonoridades associadas à percepção cinética, visual ou outras formas. O grupo tem por objetivo ampliar e modificar a percepção sonora dos apreciadores e traçar uma relação mais significativa e visceral dos sons com espaço, os movimentos e a composição das coisas em geral.
Em meu grupo, o trabalho escolhido dentre os sugerido pelos professores foi o grupo "O Grivo".
O Grivo é um grupo musical experimental de Belo Horizonte, composto pelos artistas Nelson Soares e Marcos Moreira. Os trabalhos do grupo são, em geral, montagens e performances que envolvem sonoridades associadas à percepção cinética, visual ou outras formas. O grupo tem por objetivo ampliar e modificar a percepção sonora dos apreciadores e traçar uma relação mais significativa e visceral dos sons com espaço, os movimentos e a composição das coisas em geral.
O outro trabalho escolhi foi a "Sliding House", um projeto do grupo de arquitetos dRMM, da Inglaterra. A Sliding House é um projeto de uma casa modificável e adaptável às necessidades dos usuários e às condições climáticas. A casa dispõe de duas camadas de parede, sendo a externa disposta sobre trilhos, de maneira que se possa movimenta-la expondo e cobrindo diferentes espaços da casa.
Evidentemente o número de possibilidades de adaptação desse projeto às necessidades do usuário é limitado e pré-determinado, mas a ideia de se constituir um projeto tendo em mente as diferentes necessidades de conformação espacial do usuário de acordo com as mudanças climáticas e as diferentes situações de uso despertou o interesse do grupo.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Croqui Praça da Liberdade
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